Além do que se vê

É preciso perceber
que ser
vai além do humano/querer.
A gente é feito de carne. Fraca e forte.
Mas também somos compostos de sonhos.
A gente é gente,
que mora em si e também tem lar no outro.
A gente mente,
desmente,
sente,
ressente,
perdoa,
se doa.

E talvez por isso a gente sofra tanto.
Porque o mundo exige que sejamos robôs.
Roubados de nós.
Mas in ou felizmente,
a gente é isso.

É pedaço,
é inteiro,
é palavra,
é papel.
A gente faz,
desfaz,
refaz
e vive
pra frente
e pra trás.

Quer queira, quer não,
nem todo mundo nasceu para jogar o outro no chão.

A gente é assim, então,
oito e oitenta,
equilíbrio entre o sim e o não.
Não conhecemos meio termo, perdão.
Pois em vez de razão,
viemos coração.

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