Prisão

Estas grades que hoje me cercam
fazem-me pássaro de asas cortadas.
Há muito esqueci do mundo lá fora,
do frescor do vento contra a pele,
do sol entrando pelos poros e queimando o couro.
Sinto falta de viver ao invés de imaginar.
Sou como um baú que se alimenta de lembranças.
Parei no tempo quando fui enclausurado.
Às vezes me perguntam se acredito em inferno.
Respondo que o conheço.
Morro mais a cada dia.
Sem liberdade não há alma.
Ao pó eu retornei.
Só existo.

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