Coração

Eu sou o poeta que sangra,
que seca,
que molha,
enxuga,
resseca.

Eu sou o poeta que mente,
purifica,
contamina
e envaidece.
Que se perde
e que se encontra (nas palavras).

Eu sou o poeta discreto,
de afeto, um feto,
o aborto da alma e do ser,
cada vez que pensa em escrever.

Eu sou o poeta louco,
de muito,
de pouco.
De instante,
bastante,
de agora
e de antes.

Eu sou o poeta no frio,
no quente,
na seiva,
na seca,
no ódio
e no amor.

Eu sou o poeta que inventa,
que tenta,
dispensa,
de oito ou oitenta.

Eu sou o poeta que traga,
que bebe,
que cheira,
que fere.
Que vive nos versos.

Eu sou o poema navalha,
a arma das mãos,
do pensamento,
do coração.

Eu sou o poeta da boca,
das esquinas,
dos cantos
e tantos.
Sorrisos e prantos.

Eu sou o poeta em nota dó.
Rimando em curvas e linha reta.
Sonhando em ser poeta.

Eu sou o poeta que acredita,
que finge ser poeta,
que sente ser poeta.

Eu não sou poeta,
pois poeta é o que há em mim.

Eu sou apenas fantasia,
fruto no galho da poesia.

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