Tormento

Sou o cerne apodrecido,
a seca ardente de agosto.
Os vestígios da carnificina do âmago,
um moinho de padecimento e desgosto.

Os dias são noturnos,
a amabilidade efêmera provém do ego exposto.
A carcaça pouco sustentável
apoia-se na esperança, a contragosto.

A facilidade com que a vida se desfez
mostrou-se frágil como a exatidão de seu expurgamento.
O deserto em meu peito ecoa por sua vez:
Vai passar, sussurra ao vento. Isto é momento.

2 comentários :

  1. Sensacional!
    Acho que você deveria se aventurar mais nessa temática.
    Ficou muito bom mesmo!

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  2. Muito obrigada, Renato.
    Quem sabe os pensentimentos criem outro...

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