O fim e o meio

Sou a febre de novembro,
a seca ardente que anseia pela saliva.
Os olhos que veem o que pouco enxergam,
a pele que toca o nó dos calafrios.
A tempestade nas folhas do outono,
a inocência represada no olhar infantil.

Sou o calor dos amantes na surdina,
o perigo nobre resguardado no ventre,
o encontro daquilo que já se perdeu.
Sou a força das Marias,
a perseverança dos Josés.

Sou o feto e o afeto.
O céu e o sol.
O laço e a fita.
O chão e o pó.

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