Meu oásis

É uma espécie de filme rodando dentro de mim.
Ainda sou aquela menina dos pés descalços e sujos de terra,
ainda sinto a emoção de brincar com minha fiel companheira dos olhos de limão
e outros amigos que este coração abrigará para sempre.
Sinto o cheiro de terra molhada pela chuva, escuto minha mãe chamando para tomar banho
e minha voz teimosa suplicando: Já vou, mamãe. Só vou brincar mais um pouquinho...
E esse pouquinho durava horas.

Aqueles dias eram sagrados. E ainda são. Preciosos como um tesouro em meu baú de memórias.
A alegria era tão grande que a molecada das outras ruas se reunia para compartilhar esses momentos.
Quando me dava conta, a calçada estava cheia de "Sou pró", "Sou ré"!
E então, eu me dava conta de quanto amor cabia naquela menina.
Naquela menina Acreúna.

Quando penso nos anos que se passaram, até me esqueço dos dias que os formaram.
Cada dia uma nova história, e mesmo naqueles de mesmas histórias, novos sorrisos nasciam.
E cada um desses sorrisos se perpetuou no oceano da saudade.

Acreúninha quer até ser santa. Vive fazendo seus milagres.
Quando amigos se perdem por outros cantos, ela faz questão de reuni-los,
nem que seja em um ou dois meses do ano. Ao menos para uma breve troca de sorrisos.
E os filhos que voam para fora do ninho, ela faz questão de trazer de volta,
nem que seja aos finais de semana. Ao menos para uma breve troca de abraços.

Há momentos em que a correria cotidiana e as turbulências da vida tomam conta de mim.
Então, fecho os olhos e me recordo do canto dos pássaros, das folhas das árvores, do reino do bem.
São nesses pensamentos que encontro o caminho de casa.
Da morada do meu coração.
Da minha cidade feita de paz.
Da menina Acreúna, o meu oásis.

4 comentários :

  1. tem lugar pra mais um no abraço de acrê?

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  2. coração cheio cabe sempre nesse abraço!

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  3. Não se perde nas palavras, nem pra falar dessa menina moça Acreuna ! Saudades de você pequena sereia

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