Relicário

A sela encostada na parede
está coberta pelas teias do tempo.
O chapéu de feltro pendurado,
agora é feito de poeira.
A vitrola que tocava músicas country,
já não passa de silêncio.
O fumo de que eu tanto reclamava,
continua dentro da embalagem.
As botas sujas de lama
são retratos de dias distantes.
Os ossos espalhados pelo pasto
pertencem aos seus filhos de quatro patas.
As flores que você trazia no fim da tarde
desmancharam-se em mal-me-quer.
A mulher de pele seca e enrugada de lembranças
é a vida que se foi com a sua.

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