Tempo de saudade do tempo

Sou do tempo dos sorrisos.
Do tempo do bom dia ao padeiro e aos vizinhos.
Do tempo em que nada superava o aconchego de um meio-fio,
um completo-amigo e uma boa conversa.
Do tempo de tocar campainha e correr, das pipas,
pique-esconde, bete e joelhos ralados: sou da época da amizade.
Do tempo do pedido de benção aos pais.
Do tempo de dormir com o irmão porque ele tinha medo.
Do tempo em que a tv só servia para os desenhos animados.
Do tempo da fita cassete tocando no rádio.
Do tempo do bolinho de chuva no fim da tarde.
Do tempo das cartas aos primos distantes.
Do tempo em que a maior responsabilidade era escovar os dentes.
Do tempo em que ir para a fazenda era alegria sem fim.
Do tempo do medo de colocar o dedo na tomada.
Do tempo em que o arco-íris era um escorregador gigante.
Do tempo das brincadeiras na escola.
Do tempo da sopa de letrinhas.
Do tempo de rezar para o anjo da guarda.
Do tempo dos abraços.
Do tempo do amor.
Do tempo em que eu sequer sabia o que era tempo.

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