O tempo que foi meu

O cheiro quente do café
me lembra daquelas manhãs
em que minha tia lia lentamente
uma cartilha para me alfabetizar.

Um ouvido em sua voz doce
e outro nos pássaros nas árvores
repetindo o som da letra ''u''
como se me mostrassem as vogais.

O rádio tocava canções da época
e a fumaça vinda do fogão de barro
impregnava minhas madeixas cor de sol.

Meu melhor amigo cavalgava
e me levava a lugares que eu não podia ir
(mas ia
sem poder).

Passava as tardes comigo
enquanto eu tagarelava.
Ele nunca precisou falar,
pois aprendi a ler em seus olhos
respostas que a vida não ensina.

Um comentário :

  1. Amei aqui e amei essa poesia também -não só essa- e parabéns! :3 Uma graça seu blog! Eu também escrevo poesia, se quiser dar uma olhada: http://cadernodescolorido.blogspot.com.br

    Bjs, Sarinha (:

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