Caminhante do tempo

Milhas e milhas ele caminhou com suas meias rasgadas e calos no pés.
Pedia água por todos os lugares em que passava.
Alguns o olhavam com desdém, outros cidadãos curiosos questionavam:
- Para onde você vai?
Não respondia.
Agradecia pela gentileza e continuava andando.
Seguiu por cidades, estados e talvez até países (se soubesse onde estava).
Não fazia questão de perguntar sobre os lugares que passava.
Diferentemente dos povos, de diferentes cidades, estados e talvez até países,
que tinham sempre a mesma pergunta para o viajante:
- Para onde você vai?
Sem vontade de responder,
seu silêncio predominava e as pernas seguiam seus comandos.
Suas voltas resultavam em uma jornada cada vez mais longa.
Aos poucos, o tempo se tornava inimigo de sua vontade,
fazendo surgir rugas nos olhos e pouca força nas juntas.
Parou em uma cidadezinha e como de costume,
foi pedir sua abençoada água para matar a sede que o matava.
O dono da venda o fitou, e logo, indagou:
- Para onde você vai, meu filho?
Mal podia acreditar que ouvia aquela pergunta irritante mais uma vez.
Uma lágrima abraçou seus olhos cansados.
O velho moço olhou nos olhos de seu camarada e respondeu:
- Para algum lugar em que me perguntem como estou, e não para onde vou.

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