Os gritos contidos em mim
são como prisioneiros na clausura.
Quando escrevo,
eles celebram.
Receberam alforria.
Podem tentar me calar,
mas não o poeta que há em mim.
As palavras são o meu canto,
a voz que preenche qualquer silêncio.
Se me desfaço,
elas me refazem.
Quando me perco,
elas me encontram.
Se julgo ser ninguém,
elas surgem como luz que penetra a escuridão
transformando a noite em dia.
Com paciência esclarecem:
Você é nós e, unidos, somos poesia.
Escrever é meu grito,
desabafo,
aconchego,
sussurro,
segredo,
refúgio,
silêncio,
tudo.
Sem palavras
sou apenas o vazio da minha vastidão.
Pior que os porques
são os "e se".

A vida é o que se faz dela,
e não as possibilidades que se fantasia sobre ela
(ou ele).

A escolha é uma só:
arriscar pelas reticências
ou estagnar nas interrogações.
Quando julgar que conseguiu ler o outro,
lembre-se que muitas almas vivem nos rascunhos guardados.
perdoar é voar,
se libertar

é, também, soltar
o outro
da gaiola da mágoa
e respirar

e, quem sabe,
qualquer dia
vocês pousem no mesmo lugar
e suas asas, outra vez, voltem a se entrelaçar