Carta para Fifia

Quando você chegou,
meu coração se sentiu tão vasto quanto o céu.
Afinal, recebeu a estrelinha mais iluminada da galáxia.
Antes mesmo de aprender a falar,
você me ensinou.
Tantas lições que apenas nossos abraços bem apertados poderiam descrever.
Aos seus olhos, virei sereia.
Aos meus, você sempre será uma princesa.
Sentirei falta do seu sorriso,
do seu pezinho nas minhas costelas quando dormimos juntinhas,
da sua voz serena me pedindo um leitinho com toddy
ou para colocar o filme da Frozen para você assistir.
Ah, minha pequena Ana, como sentirei saudades de te ver vestida de Elsa
dançando e cantando pela casa.
Cada uma das bonecas que te dei de presente
foi tentando demonstrar a bonequinha de verdade que você é.
Tão pequenina, você tornou meus dias grandiosos com sua presença.
Mal posso conter o sorriso ao te ver escrevendo seu nome,
como treinamos juntas, e quando você cita com naturalidade as cores em inglês.
Assim como agora não consigo represar as lágrimas
que desaguam de mim. Sei que você diria "Por que está chorando, Leléu?".
E eu te daria uma resposta simples para ocultar a complexidade de, ingênua que sou,
ter acreditado que o nosso para sempre seria de verdade.
Hipocrisia, né? Afinal, inúmeras vezes falamos sobre a importância de nunca mentir.
E, mais uma vez, eu aprendo com você.
Obrigada por me ensinar a sentir este amor tão nobre e puro,
o de amar e ser amada sem esperar nada em troca.
Obrigada por ser minha filhinha de outro útero.
Obrigada por ter dado à minha vida tamanho sentido que jamais teria sem você.
Obrigada por ser, nesta Terra, este anjinho com a missão de levar felicidade por onde passa.
Se Midas que, segundo a lenda, tornava ouro tudo que tocava,
quantas histórias ainda não serão escritas sobre você,
a menina-luz toca corações e os transforma em amor?
Em breve você aprenderá a ler e espero que receba estas palavras
com todo o sentimento que elas carregam.
Seja feliz, meu amor.
De cá, permaneço em orações diárias para que Deus te proteja e preserve sempre sua bondade.
Nosso laço nunca terá adeus.
Nos encontraremos num próximo capítulo.
Obs: não se esqueça de rezar antes de dormir. Deus te abençoe.
Com amor, sua dindinha.
Os gritos contidos em mim
são como prisioneiros na clausura.
Quando escrevo,
eles celebram.
Receberam alforria.
Podem tentar me calar,
mas não o poeta que há em mim.
As palavras são o meu canto,
a voz que preenche qualquer silêncio.
Se me desfaço,
elas me refazem.
Quando me perco,
elas me encontram.
Se julgo ser ninguém,
elas surgem como luz que penetra a escuridão
transformando a noite em dia.
Com paciência esclarecem:
Você é nós e, unidos, somos poesia.
Escrever é meu grito,
desabafo,
aconchego,
sussurro,
segredo,
refúgio,
silêncio,
tudo.
Sem palavras
sou apenas o vazio da minha vastidão.
Pior que os porques
são os "e se".

A vida é o que se faz dela,
e não as possibilidades que se fantasia sobre ela
(ou ele).

A escolha é uma só:
arriscar pelas reticências
ou estagnar nas interrogações.
Quando julgar que conseguiu ler o outro,
lembre-se que muitas almas vivem nos rascunhos guardados.